Literacia digital – crescer juntos

Literacia digital – crescer juntos

 




A Literacia Digital é um direito e um dever de toda a sociedade, neste artigo a convite da revista digital Zen Kids, refletimos sobre como promover uma utilização saudável das tecnologias desde idades muito precoces, desde a infância.

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Hoje em dia, todas as gerações já se renderam às novas tecnologias de informação e comunicação, àqueles dispositivos intuitivos, portáteis que do tamanho da palma da mão nos oferecem um mundo de oportunidades e desafios.

As crianças não são exceção, as novas tecnologias têm revolucionado a forma como acedem à informação, aprendem, comunicam, relacionam-se, entretêm-se e divertem-se.




Ao contrário dos seus pais, que tiveram de passar por um processo de adaptação e integração nas suas vidas destas ferramentas digitais, as novas gerações, convivem com as tecnologias como algo intrínseco à sua vida, como uma realidade que sempre conheceram e com a qual estão habituadas a conviver.

Mas para que as crianças no futuro possam conseguir encontrar um certo equilíbrio saudável e tirar o melhor proveito destes ecossistemas mediáticos, nas suas vidas pessoais, académicas e profissionais, é necessário que desenvolvam um conjunto de novas competências, que vão muito para além do mero acesso ou uso de tecnologias e que incluem a capacidade de mobilizar a sua energia para aprender, criar e partilhar conteúdos, saber pesquisar, saber avaliar fontes de informação e navegar em múltiplos ambientes.

Devemos educar as crianças, não só para “saber mexer”, mas para saber lidar criticamente com os meios, as redes e as plataformas digitais, isto é, educar para a literacia digital.

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Literacia digital, define-se como a capacidade de acedermos aos media, de usarmos as novas tecnologias de informação e comunicação para desempenhar tarefas, adquirir conhecimentos, avaliar de forma critica os seus conteúdos, desenvolver potencialidades pessoais e participar ativamente na sociedade.

O objetivo de todos os pais é munir os filhos de competências fundamentais que lhes permitam crescer em conhecimento, autonomia e responsabilidade.

Se por um lado compreendem a importância da convivência da criança com as novas tecnologias para que como os seus pares possa adaptar-se e vingar num futuro mais tecnológico, por outro vivem sentimentos contraditórios, de preocupação, de receio das consequências, dos riscos da mesma exposição.

Os pais têm um papel fundamental na educação no âmbito das novas tecnologias e ambientes digitais. Devem envolver-se ativamente, mediar, supervisionar e acima de tudo promover competências para a criança saber lidar com os meios digitais de forma saudável e segura.






A educação digital deve começar no exato dia em que a criança toma pela primeira vez o contacto com as novas tecnologias.

Os pais devem dedicar algum tempo, atenção e energia, a incentivar a exploração conjunta dos dispositivos, a partilhar momentos de ecrã, mas também de aprendizagem e cumplicidade.

Têm a obrigação de se envolver, como modelo, ser um exemplo! Se querem incentivar os filhos a desenvolver uma postura mais positiva, proactiva e critica face ao uso das novas tecnologias, devem ser os primeiros a refletir sobre os seus próprios comportamentos.

Evitar cair na tentação de utilizar o tablet como babysitter em casa ou no restaurante, para a criança comer a sopa mais depressa, se entreter ou ficar mais tempo sentada no lugar. Nunca esquecer de regras básicas de convivência social, evitar comportamentos de multitasking, e por vezes, ser capaz de simplesmente desligar o ecrã e propor formas alternativas e saudáveis de passar os tempos livres.

Com as crianças mais novas devem apostar no uso de recursos tecnológicos, para realizar pesquisas orientadas para os seus interesses, descobrir sites pedagógicos, aplicações educativas e jogos de entretenimento divertidos.






Com os adolescentes devem estar particularmente atentos à forma como os jovens gerem o seu tempo, estudam, e se movimentam nas diferentes redes sociais (o que comunicam, como comunicam, o que é público o que deve ser preservado). Incentivar uma utilização mais construtiva e criativa. Para além do consumo de conteúdos, e naturalmente de acordo com o seu perfil individual, apostar em plataformas de programação, de criação e partilha de conteúdo.

Os pais, têm o dever de estar atentos, informados relativamente ao uso que os filhos dão às novas tecnologias, perceber quantas horas por dia passam à frente de um ecrã, que plataformas utilizam, quais os seus jogos favoritos, em que redes sociais estão registados, o que partilham, com quem comunicam…

Só num clima de confiança e reciprocidade será possível desenvolver estratégias para proteger as crianças e jovens de conteúdos inapropriados e fomentar a adoção de boas práticas.

Tal como em qualquer outra atividade, é importante estabelecer regras e definir limites, para no fundo, de acordo com a idade e perfil de utilização das tecnologias, conseguir chegar-se a um consenso e a bom equilíbrio entre permissões e proibições impostas.

Sempre que possível, os pais devem evitar uma postura demasiado autoritária ou excessivamente tolerante e permissiva, apostar no diálogo e envolver toda a família na discussão. Em vez de proibir, ou dizer não porque não, experimentar explicar os motivos das suas opções.

É fundamental criar espaço para que os mais novos possam também e de acordo com a sua própria experiência, expressar o seu ponto de vista. O importante é no final conseguir um bom compromisso entre todas as partes.

Uma boa estratégia para assegurar que com o tempo, as regras não fiquem esquecidas, é celebrar um contrato, um documento onde deverão constar todas as regras escritas com clareza e personalizadas para cada elemento da família.







Por muito que as crianças e adolescentes, se sintam informados e esclarecidos, nunca é demais recordar os princípios básicos a serem cumpridos!

Para concluir, a tecnologia representa na vida das crianças um conjunto de riscos, mas também uma infinidade de oportunidades. Apesar dos receios, o papel da família não deverá ser limitar, policiar, privar, proibir, mas promover uma boa educação digital.

Crescer juntos é crescer melhor!

 

Inês Cabrita

autora do blog Aprender na Ponta dos Dedos

In revista Zen Kids (fevereiro, 2016)

 

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